

Então é fevereiro e eu, como sempre relapso com a leitura, acabo passando despercebido pelas inúmeras bancas de revista da “ grande” Goiânia, quase perdendo a oportunidade de ter em mãos uma fotografia muito valiosa que estampara a capa da Rolling Stone de Janeiro desse New Year. A imagem era composta por John Lennon em nu artístico entrelaçado por completo em sua amada Yoko Ono ( ela infelizmente vestida :/ )
Não sou ainda um leitor constante de nenhuma revista mensal ou semanal, as compro aleatoriamente quando me chamam a atenção!
E, claro, aquela capa era muito muito chamativa, principalmente pelo rosto do casal mais indesejado da história do Rock’n Roll.
Yoko, como podem ver, está com uma expressão rígida e imponente, com queixo erguido e recebendo enrolado ao seu pescoço os braços de um menino que beija seu rosto como se estivesse tocando em sua mãe, sim, assim está Lennon!
Enfim, decidi comprar a revista no dia seguinte, pois estava meio ausente de real naquela hora. No dia seguinte a revista havia acabado, e meu dinheiro em mãos e contado! Mas graças ao bom Deus a moça da banquinha era uma daquelas pessoas fãs de rock antigo e seguidoras da corrente do bem, ela disse que conseguiria uma unidade da revista no dia seguinte. E adivinhe o que aconteceu?
Ele realmente foi uma boa pessoa naquele momento :D
Passando algumas horas, cheguei à tão esperada reportagem da capa titulada “OS ULTIMOS DIAS DE JOHN – Lembranças de YOKO ONO.” Yoko tem um domínio da língua que é impecável e digno de uma artista de peso como ela mesmo é. E a fotografia é de Annie Leibovitz para a capa da Rolling Stone, claro.
De todo o texto, dois trechos ficaram gravados na minha mente, me fazem refletir sobre como o ser humano pode atribuir valor a coisas diferentes em sua vida, e que o amor está nos olhos de quem ama, quem busca e quem o encontra nas mais variadas formas de vida deste planeta. Olhem só os trechos:
“ Nós também ( eu e John) éramos pessoas muito silenciosas. Não precisávamos dizer nada. Só de nos entreolharmos, já sabíamos o que o outro estava pensando. Quando mais o mundo nos detestava, mais nós nos tornávamos protetores em relação um ao outro. Eu adorava o jeito dele mais para o fim: ‘Ande com o queixo para cima. Nunca deixe ninguém perceber que você foi atingida!’ Eu sempre sorria quando ele dizia isso. Mas, quando ele estava sozinho, eu o pegava refletindo com o olhar distante, de um soldado jovem/velho que se lembrava de tudo.”
“E nunca vou esquecer como ele disse as coisa mais lindas para mim com uma voz profunda e suave, como se quisesse entalhar as palavras na minha mente. ‘AH’, eu disse depois de um tempo e desviei o olhar, um pouco acanhada.
Na minha cabeça, ouvir uma coisa daquelas do seu homem quando você já tinha passado bastante dos 40... bom... eu era uma mulher de muita sorte, pensei. Mesmo agora, vejo os olhos penetrantes dele na minha cabeça. Não sei por que ele resolveu, naquele exato momento, dizer tudo aquilo, como se quisesse que eu lembrasse ara sempre. Será que importava o fato de o mundo inteiro odiar você tanto assim se o seu homem a amava aquele tanto? Que diferença faz se você tinha que viver no inferno com ele? Alguns casais podem ter a sorte de viver no céu. O nosso céu ficava no inferno. E nós adorávamos aquilo. Nós não íamos querer que fosse diferente.”
Poxa vida, todos despertaram dentro de si uma emoção similar à minha!?
Que o mundo desabe, as paredes caiam e o percurso das nossas vidas seja um completo caos, mas se eu tiver você ao meu lado tudo e todos que queiram nos destruir irão passar despercebidos aos meus olhos. É, foi assim que pensei ao ler estas convincentes palavras de Yoko Ono. Recomendo que leiam a reportagem na integra ( publicidade gratuita ¬¬ )
Bom, meu nome para assinar às minhas fotografias será Gustavo Thierre e espero que vocês possam freqüentar constantemente esse pequeno espaço para idéias .
Um abraço a todos.
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